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Batman vs Superman: A Origem da Justiça

Batman vs Superman: A Origem da Justiça

Matheus Fiore - 24 de março de 2016

Desde seu anuncio, Batman Vs Superman se tornou o filme de super-heróis mais aguardado da atualidade. E não era pra menos, o longa reúne simplesmente os dois maiores personagens da história da DC Comics. O sucesso de bilheteria já era certo, mas a dúvida sempre existiu: as expectativas seriam atingidas?

O filme tem seus defeitos, mas, no geral, é bem amarrado e funciona em quase tudo que se propõe. Peca, porém, por seus excessos e estrutura desequilibrada. Até a metade do segundo ato, Batman Vs Superman é ligeiramente arrastado, focando apenas no desenvolvimento da trama e de seus personagens, deixando toda a ação para o gigantesco clímax.

Um dos maiores erros de O Homem de Aço foi a muleta narrativa “Lois Lane”, presente em quase todo acontecimento importante da história, incluindo cenas em que sua presença não só não fazia sentido, como extrapolava todos os limites da inverossimilhança. Aqui, Lois está muito mais bem escrita, e mesmo estando presente em todos os grandes momentos do filme, sempre tem sua presença e atitude justificadas. Henry Cavill e Gal Gadot nos entregam atuações dignas como Superman e Mulher Maravilha, mas o grande destaque é Ben Affleck, que é, simplesmente, o melhor Batman do cinema. Bruto, maduro, determinado e sanguinário, este Bruce Wayne é abissalmente melhor que todos os seus antecessores. A decepção fica por conta de Jesse Eisenberg, que constrói um Lex Luthor caricato, com muitos maneirismos e teatralidades.

O grande arco dramático do filme é o de Batman. Desenvolvido desde a linda abertura do filme, o personagem tem seus ideais bem cimentados por flashbacks que mostram sua visão da Batalha de Metropolis. Mesmo não concordando, é difícil não compreender as escolhas de Bruce Wayne. Aqui vemos um Morcego muito mais visceral e realista que o de Christopher Nolan. Em certo ponto, chega a ser um pouco macabro. Com fortes influencias dos recentes jogos da série Batman Arkham nas cenas de luta, o Homem-Morcego não só espanca e tortura seus inimigos, como pega até em armas de fogo quando necessário. Atitude muito presente no Batman de Frank Miller.

A maior influencia deste filme, sem dúvidas, é a era Frank Miller. Não só pela brutalidade de Bruce Wayne, mas pela estética e estrutura narrativa de todo o longa. Assim como na HQ Batman: O Cavaleiro das Trevas,  Batman Vs Superman deixa o espectador a par dos acontecimentos por noticiários de TV e jornais. A sequencia que mescla o Superman em ação pelo mundo enquanto jornalistas comentam suas ações é uma das mais belas do cinema de super-heróis. A mídia, inclusive, levanta questões interessantíssimas no filme: a quem o Superman deve responder? Ele deveria obedecer alguma instituição? Discussões essas que, por falta de tempo, são subaproveitadas e esquecidas no decorrer da projeção.

O 3D do filme, com exceção da cena de abertura (o plano da pistola com as pérolas é, provavelmente, o mais bonito do filme), é dispensável. Se na profundidade Zack Snyder foi econômico, ele não poupou o filme de flares e cenas em slow motion. Esta segunda técnica, aliás, é muito bem utilizada, tanto para acrescentar drama às cenas, quanto para prolongar o deleite do espectador diante dos belos uniformes de Batman e Mulher Maravilha. Conhecido por seus exageros, Snyder nos entrega aqui seu melhor trabalho de direção desde Watchmen, principalmente por filmar bem a ação e apresentar batalhas bem dinâmicas e empolgantes.

O filme é bem fotografado, abusa de iluminações coloridas como referência aos quadrinhos. As cores ajudam a retratar as emoções dos personagens, que não têm muito tempo para as expressar, já que o filme é extremamente corrido. Por outro lado, a trilha sonora de Hans Zimmer decepciona por ser repetitiva e tímida.

Se a primeira metade do filme pode parecer lentar, a segunda é extremamente agitada e entrega algumas boas cenas de ação. A de Batman enfrentando bandidos num depósito (já mostrada no trailer) é melhor que todas as cenas de ação do Batman de Nolan. Em alguns momentos, lembra sequencias de Identidade Bourne e Capitão América: Soldado Invernal, porém com mais violência. Apesar de estar um pouco deslocada, a Mulher Maravilha tem excelentes momentos no confronto final. Quem decepciona na ação é o Superman, que praticamente só apanha.

Batman Vs Superman não é o melhor filme de heróis de todos os tempos, mas é um filme correto, coeso e extremamente efetivo na introdução do universo DC Comics no cinema. Executa sua principal missão com elegância e abre um imenso leque de possibilidades para desenvolvimento de outras histórias. Resta torcer para que os próximos filmes da parceria Warner/DC mantenham o nível e que Zack Snyder continue nos surpreendendo positivamente.

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