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Cinema Novo

Cinema Novo

Gustavo Pereira - 13 de outubro de 2016

Melhor documentário em Cannes-2016 e, caso seja indicado, forte candidato ao Oscar. Este é Cinema Novo, uma das experiências em Edição e Montagem mais surpreendentes que já presenciei.

Para entender a magnitude do trabalho do diretor Eryk Rocha, precisamos entender o que foi o Cinema Novo na história da Sétima Arte. Vertente autoral e de manifesto, o Cinema Novo pega referências do Neorrealismo Italiano e da Nouvelle Vague para aproximar realidade da ficção, transgredindo os códigos e a linguagem cinematográfica vigente na época. O Cinema Novo, em essência, gera desconforto porque esfrega as contradições do Brasil na cara dos brasileiros e conclama o povo para que tome de volta o poder que emana de si e promova as mudanças capazes de mudar a realidade opressora de seu tempo.

A grande novidade que Rocha traz em seu documentário está em usar relatos, entrevistas e manifestos da época para contar como o Cinema Novo surgiu, se estabeleceu, lutou e, de certa forma, fracassou nos seus objetivos. Não é uma autocrítica envernizada pela velhice. Temos Glauber Rocha falando da pobreza do nordestino sofrido em Cannes, durante a exibição de Deus e o Diabo na Terra do Sol; Leon Hirszman questionando o abismo social entre ricos e pobres sobre sequências da belíssima Fernanda Montenegro em A Falecida; Ruy Guerra defendendo o poder transformador do Cinema em plena Ditadura.

O Cinema Novo é um movimento de catarse, e o documentário, que fez uma pesquisa sensacional em volume de filmes, começa com uma belíssima montagem de corridas. O brasileiro está sempre se deslocando apressadamente do ponto A ao ponto B, movido muitas vezes pela necessidade. O Cinema Novo buscou dar voz aos oprimidos, a transportar sua mensagem para o grande público, a promover a mesma catarse presente em seus filmes.

Com muita humildade, os cineastas já em seu tempo entenderam que estes filmes populares não eram vistos pelo público, que o objetivo principal perigava fracassar e se tornar uma prostração intelectual.

Mas que era salutar continuar lutando, fazendo mais filmes.

Cinema Novo, documentário de Eryk Rocha, vem em um momento mais do que oportuno: com as instituições nacionais abertamente debilitadas por uma ruptura na democracia, está na hora de revisitarmos a ideia da arte como questionadora da sociedade, motor da transformação de que precisamos.

E, se ganhar um Oscar na frente da esparrela que é Pequeno Segredo, vai ser um lindo tapa na cara daqueles que boicotaram Aquarius. Tem minha torcida desde já.

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