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Frank Ocean: Blonde

Frank Ocean: Blonde

Nathan Amaral - 1 de setembro de 2016

De volta com um álbum completo quatro anos após o aclamado channel ORANGE Frank Ocean consegue consolidar seu estilo musical e trazer boas surpresas ao ouvinte em um álbum que adiciona, e muito, a nova cena do R&B.

Há algumas semanas atrás a internet entrou, mais uma vez, em polvorosa. Já havia se tornado uma tradição na internet: durante os primeiros meses de 2013 até este Agosto de 2016 os fãs e adeptos esperaram, especularam e buscaram mais um pouco da música de Ocean onde pudessem. Os tempos foram árduos: tímidas participações, poucas aparições públicas e muito, muito mistério cercaram o lançamento do sucessor definitivo de channel ORANGE. 

Muito também mudou no mundo que receberia os dois discos. Assistimos a maturação de Lamar, Drake, ouvimos um novo Kanye e sentimos novas tendências, com um revival dos anos 90 e uma construção cada vez mais próxima dos esboços que a identidade audiovisual de Ocean deixava transparecer. Pode olhar para qualquer lado: R&B e Hip-Hop uniram-se à uma identidade bem diferente da que esbanjavam anos atrás.

E é nisso que Blonde, nascido do caos (o álbum ganhou, dias antes de seu lançamento oficial, exclusivo ao Apple Music, um hotsite e um livrestreaming de um “irmão” visual, o boysdontcry.co e uma zine, que leva o mesmo nome e que serve como um agradecimento/homenagem aos inspiradores do processo criativo – e tem um poema sobre as batatas-fritas do McDonalds escrito pelo Kanye West) e de centenas de prolongamentos oficiais, acertou em cheio: soa como uma ode à esse mundo urbano contemporâneo um disco que é um baú sinestésico que lembra os melhores e piores momentos da sociedade envolta da sua concepção.

Preciso e crítico sobre as hipocrisias e exageros da sociedade (com uma excelente adição de interludes para manter o contexto), poético e abstrato, industrial e inconfundivelmente nascido dos primórdios dessa nova cena do R&B e do Hip-Hop, Blonde é mais um disco que pode entrar para os clássicos recentes – extremamente competente e com uma força própria – e que ajuda a encorpar um novo tipo de linguagem e poesia, algo mais próximo a um dadaísmo e aos manifestos pós-modernos.

Nunca ouviremos o processo completo, feliz e infelizmente, de três anos de trabalho para esculpir uma obra como essa; mas ao menos saberemos que o talento e a afinidade com o lúdico de Frank Ocean está melhor do que nunca. O maior desafio do ouvinte é desgarrar do replay e não se ver cantarolando o dia inteiro suas melodias inesperadas com versos loucos e lotados de street culture.

“It’s hell on Earth and the city’s on fire
Inhale, inhale there’s heaven
There’s a bull and a matador dueling in the sky
Inhale, in hell there’s heaven
Oh, oh, oh, oh
Oh, oh, oh, oh
Solo, solo
Solo, solo.”

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