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O Ensaio Sobre o Amor de We Can’t Live Without Cosmos

O Ensaio Sobre o Amor de We Can’t Live Without Cosmos

Nathan Amaral - 11 de março de 2016

Quantos de nós não nos apaixonamos? Os pés inquietos, a garganta seca, os olhos bem, bem abertos, os poros saltados como erupções invisíveis, a coordenação motora nauseada e o campo gravitacional inexpugnável daquele, daquela ou daquilo nos puxando. Esse sentimento é de fato incrível e, na realidade, indiscritível: o amor é como a linguagem, uma limitação tangível por si mesmo e para si mesmo.

Ele se vê constantemente redesenhado em um universo que parece tê-lo em seu âmago: amar é eterno e é exclusivo à todas as coisas da existência e do caos. Como já dizia Miles:

 

Durante a história da humanidade todas as artes deram seus pareceres sobre o amor. O fizeram de herói, de vilão, utilizaram-o de argumentação para a ruína dos homens, para o sentido da vida e como guia pela busca de relações interpessoais cada vez mais profundas e polidas.

O amor das paixões se tornou o amor dos relacionamentos: a ardência que poderia destruir impérios e fazer da implacabilidade do tempo um detalhe insignificante deu espaço às metáforas da construção social – em nada mais se assemelhava o verdadeiro amor dos tempos de guerra – em nada era culpado pela ruína dos homens que o buscavam. O amor dos homens pelas coisas era finalmente possível, alcançável e admissível.

No meio de um oceano de normas e respostas We Can’t Live Without Cosmos é diferente.

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Essa não é mais uma obra sobre as capacidades de amar algo, alguém, ou alguma coisa. Não é um guia-pronto para se deparar com os cacos deixados pela decepção ou pela perda: é uma ode em silêncio à quebrar todas as barreiras possíveis para que possamos entender, no âmago intimista da linguagem, o que é a busca por um significado comum.

Em sua ausência de diálogos, ela transforma nossa mente em uma máquina de decifrar símbolos, nossos olhos estão presos aos seus personagens e nossos ouvidos aos sons das suas interações com o mundo, é um manifesto individualista, que se ilimita no silêncio.

O roteiro é costurado de modo simples e perpassa o sonho cosmopolita de seus personagens principais em se tornarem astronautas, em voarem. Do nascimento de um sonho, da sua evolução e de sua visceral sinceridade nas horas ruins: na  da perda e na redenção não existe egoísmo, não existem constrangimentos sistémicos ou temáticos: tudo o que existe é um universo a ser explorado pelo outro. Existe de tal modo que, quando tocado, passa a dar um sentido que é incompreensível para nós, até mesmo aos mais atentos, mesmo estando na confortável posição onipresente de espectadores.

Um presente de Konstantin Broznit para um contemporâneo mundo que muito precisa deste diálogo. É enquanto a tela negra dos créditos demonstra o fim dos pouco mais de quinze minutos deste leve profundo ensaio, que é possível ouvir todas as vozes que não estão presentes – é possível ouvir seu convite para um mundo sem respostas – sem implicações justapostas como se a vida ousasse a ser mais do que o meio do caminho. É audível o desejo manifesto pelo fim do normativismo histórico – pelo fim das classificações e descomplicações sentimentais – por um amor que alcance o todo, ou o nada.

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