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Atypical 1×01 – Antártida
Nota:

Atypical 1×01 – Antártida

Gustavo Pereira - 11 de agosto de 2017

Este texto fala apenas sobre “Antártida”, primeiro episódio da série original da Netflix Atypical. Se quiser ler a crítica da temporada completa, clique aqui.

O dia a dia de um autista, segundo ele mesmo. Essa é a premissa básica de Atypical em seu primeiro episódio, “Antártida”. Dentre pontos positivos e negativos, a série desponta para ser uma nova 13 Reasons Why (leia minha crítica do primeiro episódio da série da Netflix sobre a suicida Hannah Baker aqui), que se tornou relevante pela função social de conscientizar a audiência sobre temas polêmicos e um tanto difusos.

A forma como o episódio começa, inclusive, constrói de forma simples e eficiente o estado emocional de Sam (Keir Gilchrist), com um efeito “Mickey Mousing” que associa a trilha à ansiedade do jovem. Essa ansiedade, pontuada em outros momentos durante o episódio, nos atenta para o fato de que situações normais para a maioria das pessoas pode ser aterradora para uma pessoa com Transtorno do Espectro Autista.

A variação da lente normal para a grande-angular nas câmeras subjetivas mostra que Julia consegue se conectar a Sam, mas o paciente não consegue fazer o mesmo com a analista

A narração, feita pelo próprio Sam, se justifica por não trazer informações sobre a história, que devem estar contidas na própria história e não na boca de seus personagens (os famigerados diálogos expositivos). Em lugar disso, Sam traz para o espectador a perspectiva de um autista como não somos capazes de entender apenas por observação. Ajuda demais a atuação de Gilchrist, pois rapidamente nos afeiçoamos ao protagonista da série e passamos a nos importar com ele. A ligação dele com a Antártida, o continente mais inexpugnável e também um dos mais bonitos do mundo, é óbvia e tocante.

Questões colaterais, como a vida marital dos pais de Sam e os sonhos de sua irmã, são apresentados de forma interessante, mas há um desequilíbrio: enquanto Casey (Brigette Lundy-Paine) dissolve as dúvidas quanto ao seu temperamento em um gesto, Doug (Michael Rapaport) e Elsa (Jennifer Jason Leigh) caem na armadilha das “conversas que falam para para o espectador do que para o interlocutor”. Mas há espaço para evolução, principalmente na forma como Elsa, uma mãe superprotetora, lidará com o novo desejo de filho de encontrar uma namorada.

Os dois encontros de Sam marcam o contraponto de comédia na série dramática, algo que pode funcionar como um respiro, mas não era necessário

Existem alguns problemas crônicos em “Antártida”, principalmente ligados à edição: um fluxo confuso de acontecimentos, em que os atos são ligados de forma desconexa, quebrando a ambientação construída na cena anterior sem uma função narrativa clara. O tempo interno do episódio também é truncado, com sessões de terapia que acabam e começam sem uma delimitação clara se estamos testemunhando uma conversa ou várias. Dois personagens secundários, não por acaso interesses amorosos, são construções óbvias de roteiro, oferecendo aos seus pares exatamente o necessário para gerar um conflito, não havendo profundidade ou credibilidade nas interações.

Atypical, entretanto, pelo tema que aborda, o formato enxuto de oito episódios e uma nota geral boa, merece uma chance. Assista à primeira temporada clicando aqui.

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