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Godless 1×01 – Aconteceu em Creede

Godless 1×01 – Aconteceu em Creede

Matheus Fiore - 23 de novembro de 2017

western não é simplesmente um gênero, mas parte da identidade americana. O Destino Manifesto, ideia que fez os invasores acreditarem que a colonização da América e a expansão para o oeste fossem missões dadas por Deus, é não só um dos marcos da história estadunidense, como um dos pilares da civilização norte-americana. O mito do caubói heróico e destinado a cumprir missões divinas é um dos principais arquétipos da cultura ianque. A nova aposta da Netflix, Godless é um western que almeja desconstruir alguns dos arquétipos dessa cultura, fazendo uso de uma narrativa que, supostamente, foca no desenvolvimento das personagens femininas para apresentar uma nova visão do oeste.

A história acompanha Frank Griffin (Jeff Daniels), um fora-da-lei que espalha o terror pelo oeste americano à procura de Roy Goode (Jack O’Connell), um velho amigo que se tornou um perigoso inimigo. Durante sua busca, Griffin acaba chegando à La Belle, pequena cidade da região que é liderada e ocupada quase que inteiramente por mulheres. O primeiro capítulo, Aconteceu em Creede foca principalmente em estabelecer a atmosfera do universo, os núcleos e as afiliações dos personagens.

Na construção do tom, há o uso de uma cinematografia árida, com tons pastéis em todas as cenas, imprimindo morbidez ao ambiente. O uso de planos com flares e em contraluz também são eficientes para ressaltar o clima seco que domina o episódio. Com tais escolhas estéticas, cria-se o cenário característico dos faroestes: terras inférteis, abandonadas e sem lei. A falta de pessoas nas ruas ainda potencializa tal caracterização, dando a impressão de que os poucos personagens estão em uma cidade fantasma.

Já nos personagens, há a construção de uma atmosfera opressora. A chegada do vilão subjuga os habitantes da cidade. Há uma cena em uma igreja, por exemplo, na qual o vilão, sozinho, ocupa mais espaço no quadro que todos os cidadãos que estão diante dele. Em contrapartida, poucos momentos depois, há um plano trazendo uma das personagens femininas por uma pequena janela, criando uma rima visual com o vilão: enquanto ele é engrandecido pelo posicionamento da câmera, as mulheres, pela presença do perigoso forasteiro, enfrentarão um ambiente mais coercivo.

Em seu primeiro capítulo, Godless é competente ao introduzir o vilão e estabelecer os diferentes climas que dominarão o cenário da temporada. As personagens femininas, porém, acabam sendo mal trabalhadas. As poucas cenas nas quais as mulheres surgem, elas são limitadas a servir de escada para os diálogos dos personagens masculinos. Em uma série que se propõe a construir um cenário no qual as mulheres dominam, Godless parece estar mesmo mais interessada em tornar suas damas em donzelas a serem salvas. Há boas ideias estéticas, mas o resultado ainda é um piloto engessado e lento, e que, pelo menos em seu episódio piloto, não cede espaço para suas pistoleiras brilharem.

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