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John Mayer: The Search Of Everything – Wave One

John Mayer: The Search Of Everything – Wave One

Nathan Amaral - 30 de janeiro de 2017

“Moving on / and getting over / I’m not the same / it seems to me” são os primeiros versos desferidos por John Mayer na anfitriã de seu novo projeto em quatro anos: The Search Of Everything – Wave One, primeiro dos ainda incógnitos registros fonográficos que serão lançados em “ondas” de quatro músicas por vez, uma vez por mês. Segundo o próprio Mayer, via twitter: “lançar um álbum de uma só vez soaria como uma injustiça – estas músicas são fruto de anos de trabalho em estúdio vivendo nesses pequenos mundos.”

Mais do que um título eloquente The Search Of Everything – Wave One inicia um diálogo sobre maturidade, essência e, como não poderia deixar de faltar no ethos de John Mayer: romance. Seu irmão mais velho, o recheado de referências de classic rock, folk e country Paradise Valley, de 2013, abraça totalmente a estética cultural do movimento americana, uma forma de registro da cultura estadunidense que data do fim do século XIX ao início do século XX – e que curiosamente foi dominada, na moda, pelos japoneses e Mayer é um colecionador desse tipo de estética.

Esta estética americana parece envolver todo o espectro de Mayer como um artista sem maiores dificuldades (vide a capa de Paradise Valley). Ao fechar os olhos é possível imaginar o homem que canta sobre o amor e a vida com uma carga de influências e referências que vão dos maiores bluesman aos mais históricos registros de Lynyrd Skynyrd e Neil Young.

O pseudo-bluesman com mais clichês românticos que La La Land se tornaria o trovador da heritage music estadunidense e refinaria seu estilo a um blues minimalista, cortando tudo aquilo que não fosse um punhado de terra vermelha e planícies abertas ao som craquelado de fogueiras e estradas.

Mas nem sempre o minimalismo histórico e cultural é a resposta para o sucesso, como Mayer parece ter sentido na pele. Paradise Valley não foi um sucesso entre boa parte do público, ainda mais aqueles saudosistas pela sonoridade de sua obra de maior relevância, Continuum, de 2006. O som deste guitarrista de calça jeans, violão em punho e casacos indígenas afastava-se do romântico e maximalista, do cool e heartbreaking poeta e seus tons melancólicos – do blues contemporâneo que o próprio Mayer ajudou a levar à relevância.

O que esperar daquele que elevou sua guitarra ao som de Vultures e Stop This Train, nove anos atrás, para aquele que questionou sua vida, suas escolhas e sua essência com um violão e uma gaita, como um eremita moderno que parecia se aprofundar mais e mais em seus estudos e sua curadoria afunilando boa parte do mainstream, do seu mainstream?

A resposta, literalmente, veio a twitter: após a deliciosa balada pop Love On The Weekend, lançada meses antes desta primeira onda, fomos presenteados com o anúncio de que as iterações sónicas de The Search of Everything – Wave One, estavam disponíveis no Spotify. Nele ouvimos que estes dois pontos vocais da carreira de Mayer (Continuum, 2006 e Paradise Valley, 2013) encontraram-se neste novo projeto que, provavelmente, será um dos melhores registros fonográficos da carreira do guitarrista e do ano.

Em suas quatro músicas é possível ouvir o melhor dos mundos que John Mayer desenha com sua guitarra e sua voz: Moving On and Getting Over e Changing são as respostas que os questionamentos deste post levantaram – as respostas que o próprio Mayer levantou ao finalizar seu antecessor com Badge and Gun e On The Way Home. A segunda metade do EP, com Love On The Weekend e You’re Gonna Live Forever in Me resgatam, atualizam e passam a colorir o mundo que Mayer revela aos nossos ouvidos.

Está tudo ali: a voz e a poesia gentil do minimalismo tradicionalista de Paradise Valley, e as guitarras e a percussão de sonoridade maximalista e romântica de Continuum. Está tudo ali: O John Mayer que se encontrou em seus desencontros, que no meio da estrada entendeu que a razão da vida é continuar caminhando e que nos presenteará durante 2017 com o ápice de sua criatividade e musicalidade.

“Moving on / and getting over / I’m not the same / it seems to me” são os primeiros versos desferidos por John Mayer na anfitriã de seu novo projeto em quatro anos e “I’m not done / changing / out on the run / changing.” são os primeiros versos do “centro espiritual” de seu novo projeto em quatro anos. Eis o trovador da música estadunidense e sua busca por buscas, em seu amor por amar.

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