Ajude este site a continuar gerando conteúdo de qualidade. Desative o AdBlock

24K Magic, de Bruno Mars

24K Magic, de Bruno Mars

Mario Martins - 25 de Janeiro de 2018

Bruno Mars iniciou sua carreira fazendo pequenas participações em canções de artistas mais conhecidos, como foi o caso com “Billionaire” , de Travie McCoy e “Nothin’ on you”, de B.O.B. As obras foram lançadas em 2010 e lembro-me perfeitamente de na época ficar curioso em saber de quem era aquela voz tão característica. Podemos destacar também sua contribuição em canções como “Right Round” de Flo Rida e “Fuck You” de Cee Lo Green, as quais ele participou assinando a composição, mas não cantando, tendo ficado menos aparente para a mídia e a imprensa.

Mars lança então em 2010 seu primeiro álbum de estúdio, “Doo-Wops & Hooligans”, que contava com as gigantescas “Talking to the moon” e “Just the way you are”, que rapidamente o levou ao topo das rádios, além de também terem sido incluídas em trilhas sonoras de novela nacional. O álbum tinha uma forte influência do R&B, pop e reggae, estilos que também estariam presentes em seu álbum seguinte.

Unorthodox Jukebox” mostrava perfeitamente as raízes havaianas de Mars com canções como “Show Me”. O clima de relaxamento e despreocupação sintonizado com a pegada de disco/funk de faixas como “Treasure”, deram ao CD a confirmação de que aquela seria a essência do cantor e compositor. Suas influências demonstradas em suas músicas e a “sofrência” somada ao sucesso de “When I was your man”, o deram o Grammy de melhor álbum vocal pop.

 

Iniciando o álbum com uma faixa de título semelhante, “24K Magic” inicia mostrando o mesmo funk que nos contagiou na canção “Uptown Funk”, em participação com Mark Ronson. O refrão chiclete, o instrumental decorado com groove e as notas esticadas no vocal tinham tudo para vender o peixe do álbum de forma gratificante, mas infelizmente a qualidade não se mantém. Se observarmos músicas como “Versace on the floor” e  “Straight Up and Down” por exemplo, nada mais é do que a fórmula de Mars reciclada, naquela que parece uma tentativa de apenas preencher espaço no álbum –que contém somente 9 faixas, um número baixo se considerarmos o porte artístico que Bruno Mars conquistou-.

Too good to say goodbye” consegue ser massante o suficiente para tornar-se insuportável já aos 1 minuto e 20. As melodias vocais se estendem demais, entrando em conflito com a tensão da cadência de acordes do refrão, que tentam ser suavizados com o verso mais swingado, mas o estrago já estava feito, uma vez que o vocal continua buscando crescer, sem muita dramatização. Parece que houveram múltiplas tentativas  de gravá-la e na versão final ele já estava cansado. Faltou o feeling visto em “When I was your man”, a sensação de alma saindo pela boca.

Se o rei do pop nos deixou no ano de 2009, existem na atualidade dois artistas que muito se aproximam da sonoridade de Jackson, são eles Bruno Mars e The Weeknd. Quer a prova? Ouça as músicas “Chunky” e “Calling all my lovelies”. O instrumental oitentista, as batidas simples e contagiantes, o uso de backin’ vocals, riffs ousados de guitarra, a pausa feita para bater palmas… está tudo ali.  No caso de The Weeknd, a canção “I feel it coming” já diz tudo, mas não estamos aqui para falar dele.

Quem dera que o álbum tivesse a alma que “Perm” possui. Uma nostalgia do black music, e a confirmação de que “24K Magic” é um álbum pop funk. Os intrumentos são tão vivos que provavelmente seja impossível ficar parado, são adicionados até mesmo apitos em determinados momentos, pra dar a mescla necessária numa qualidade tão específica.

That’s what I like” já era conhecida minha antes mesmo de parar pra ouvir o CD, a essência já mencionada do cantor aparece 100% aqui, parecendo ser um flashback de toda a trajetória, desde o “Doo-Wops and Hooligans” até “24K Magic”, tendo diferentes momentos e atos, todos muito bem executados por parte até mesmo da produção, que distribuiu de forma brilhante e organizada as sonoridades oferecidas.

Um álbum curto, mas eficiente. Esquecível com ressalvas. Monótono em sua maioria e enjoativo quando escutado em uma só tacada. É ótimo para manter os fãs entretidos, mas dificilmente terá muita chance nas premiações, principalmente no Grammy, onde obras gigantes competem nas mesmas categorias que “24K Magic”.

Topo ▲