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Deus Salve o Rei: primeiras impressões

Deus Salve o Rei: primeiras impressões

Matheus Fiore - 10 de janeiro de 2018

Figurinos com impressionante riqueza de detalhes; cenários bem acabados e com difícil diferenciação entre o real e o feito por computador; uma abertura visualmente bonita com uma música que evoca folclore e fantasia. Deus Salve o Rei, nova novela das 19h da Rede Globo, é a aposta da emissora para conquistar um novo público, o público que consome produtos artísticos de fantasia: desde Game of Thrones, sucesso absoluto da HBO, às tramas românticas da Disney, como CinderelaA Bela e a Fera.

A premissa é simples, como é de se esperar de uma novela: o herdeiro do trono de Montemor se apaixona por uma plebeia. Seu irmão mais novo, um príncipe arrogante, inconsequente e prepotente, quer apenas usufruir dos benefícios do trono. Do outro lado, em Artena, uma ambiciosa princesa almeja dar continuidade ao próspero reinado de sua família.

Deus Salve o Rei dedica seu episódio inicial a introduzir os núcleos e personagens. Há conflitos de interesses em todos eles, o que permite vislumbrar que a trama, ao longo dos próximos meses, se desdobrará em disputas por poder nos moldes da série Game of Thrones. A inspiração no programa da HBO, porém, não é tão intensa quanto se temia. Com exceção do visual, a trama é muito mais leve e dedicada ao romance

Mesmo que a produção seja caprichada, falta escala ao que é construído. Os vários planos abertos utilizados pela direção contemplam apenas largos campos e florestas, o que impede que o público tenha real dimensão do reino de Montemor. Ainda prejudica a noção espacial o fato de o roteiro apostar em coincidências, como personagem A estar no local perfeito para encontrar personagem B e ambos se apaixonarem. É difícil passar, pelo formato do produto, uma noção de grandeza.

Como a Rede Globo vem se notabilizando pela preocupação com questões sociais em suas novelas – mesmo que não faça isso com nenhuma sutileza ou profundidade -, é esperado que Deus Salve o Rei não seja exceção. Aqui, a “bola da vez” é a sustentabilidade: o reino de Montemor sofre pela falta de água potável. O tema não é amplamente discutido no capítulo inicial da telenovela, mas, pelo cenário desenhado, tende a ser peça importante na definição dos alinhamentos dos personagens.

Por trás de toda a produção caprichada, porém, Deus Salve o Rei se calca numa trama excessivamente comum e personagens vergonhosamente estereotipados. Rapaz que está dividido entre o amor da vida e o casamento arranjado não é lá nenhuma grande novidade. Muito menos o herói perfeito apaixonado pela plebeia indefesa. Se novelas como Avenida Brasil trouxeram inovação técnica na forma de filmar e fotografar, Deus Salve o Rei parece se importar apenas com o estilo de produção, o que é uma pena. Que os próximos episódios provem o contrário e subvertam o maniqueísmo apresentado até aqui. Senão, o resultado será mais uma novela como praticamente todas as outras, apenas com um figurino diferente.

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