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20º FESTCURTASBH – Mostra Cinema Negro: Corpo

20º FESTCURTASBH – Mostra Cinema Negro: Corpo

Yasmine Evaristo - 23 de agosto de 2018

Encerrando a Mostra Cinema Negro, que compôs o 20º FESTCURTASBH, o programa “Corpo” exibiu curtas que dialogavam com o entendimento e empoderamento dos corpos negros. Das expressões físicas na dança ao amor pelo cabelo crespo, os filmes afirmam a identidade da população negra do Brasil.

Alma no Olho Zózimo Bulbul 20ºFESTCURTASBH

Fonte: 20ºFESTCURTASBH

Alma no Olho (1974)

Direção: Zózimo Bulbul
Rio de Janeiro. 11 min

Em um monólogo-performance, Zózimo Bulbul recria a história dos africanos escravizados e sua ascendência no Brasil. Em cena, o ator/diretor explana, a cada etapa, sobre algum momento da vida da população afro-brasileira.

O curta inicia com ele, nu, focalizando partes do seu corpo. É como se, de maneira didática, explicasse que o corpo negro é composto da mesma maneira que os não-negros. Em seguida, há gestos e danças que representam práticas culturais e rituais pré-coloniais. À medida que segue a narrativa, podemos ver esse gestual sendo alterado, roupas sendo adicionadas e, o mais importante, a perda do brilho nos olhos que a personagem trazia inicialmente.

Da liberdade ao rompimento dos grilhões, Bulbul, de maneira simples, mostra o caminho percorrido.

Elekô Mulheres de Pedra 20ºFESTCURTASBH

Fonte: 20ºFESTCURTASBH

Elekô (2014)

Direção: Mulheres de Pedra
Rio de Janeiro. 6 min

“Elekô” é um poema audiovisual sobre os corpos femininos e suas raízes. Iniciado no porto, ao som e balanço do mar (dos corpos), com a água das lágrimas das atrizes se faz a ligação de cada uma dessas mulheres com o lugar. No cais, há séculos, sua brasilidade começou.

Por focalizar apenas mulheres nas suas relações coletivas, o curta consegue intensificar a força que existe entre elas. O ser mulher negra é evidenciado e a sacralidade por trás desse entendimento também. Sua música e seus corpos se unem em um só e formam uma rede de proteção.

É sobre resiliência, suporte e amor. É o entendimento de quem se é.

Assista ao curta aqui.

O Rito de Ismael Ivo Ari Cândido Fernandes 20º FESTCURTASBH

Fonte: 20º FESTCURTASBH

O Rito de Ismael Ivo (2013)

Direção: Ari Cândido Fernandes
São Paulo. 13 min

O filme narra a vida do bailarino negro Ismael Ivo. Vemos na tela suas performances, alguns depoimentos sobre a dança e as dificuldades sociais enfrentadas por Ivo em sua carreira. Ele fala sobre como a vida de quem vem de classe social mais pobre é feita por obstáculos que dificultam sua ascensão profissional.

Conhecemos, pelas imagens, a vida desse dançarino que descobriu na arte uma maneira de se expressar e de fugir de um destino trágico. Em suas palavras, ao se tornar artista, ele pode ir além do esperado e romper com as barreiras que determinam que uma pessoa pobre e negra terá seu fim na marginalidade.

Assista ao curta aqui.

KBELA Yasmin Thayná 20º FESTCURTASBH

Fonte: 20º FESTCURTASBH

KBELA (2015)

Direção: Yasmin Thayná
Rio de Janeiro. 15 min

O curta de Yasmin Tahyná, realizado por meio de financiamento coletivo, é uma homenagem a todas as mulheres negras do mundo. Nele, de maneira artística, a diretora dialoga com o público por meio de cenas em que as atrizes representam situações pertencentes ao cotidiano de ser mulher negra.

Na atualidade, vem sendo muito discutida a relação de empoderamento que se constrói quando uma mulher negra se torna negra ao “assumir” o cabelo black. Em “KBLA”, essa compreensão toma corpo por meio das representações das químicas e produtos aplicados, do pentear e do cortar. Dos estigmas e dos apelidos. Do cobrir, não por vergonha, mas sim pela estética de um adorno identitário.

Não podia ser melhor a escolha desse filme para encerrar a Mostra de Cinema Negro, pois ele dá corpo aos corpos pretos em toda sua beleza e afirmação.

Faça download do curta aqui.

 

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