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Sobrenatural: A Última Chave

Sobrenatural: A Última Chave

Mario Martins - 18 de janeiro de 2018

James Wan é um diretor extremamente competente. Deu início a Insidious (nome original de Sobrenatural) em 2010. Lembro perfeitamente de assisti-lo no cinema e automaticamente tornar-se meu filme de terror favorito. O roteiro próximo a realidade, os jump scares extremamente bem orquestrados, as atuações convincentes, um vilão ausente, mas bem construído e uma trilha sutil e extremamente assustadora. Tudo parecia completo, até que o filme deixava uma oportunidade de sequência, feita com êxito três anos depois, em 2013, com Sobrenatural: Capítulo 2. O filme não só apresentava novas perspectivas, como complementava a história –que já tinha todo o meu apreço desde o começo-.

Em 2015, foi anunciado Sobrenatural III, o que me gerou estranheza, já que seu antecessor havia concluído com êxito a função de fechar pontas na complexa história de Dalton e o histórico de sua família. Se o resultado deste foi desastroso por não contar com James na direção, trazer um elenco diferente e história nada conexa,  Sobrenatural: A última chave, viria a sofrer do mesmo problema. O diretor passou a assinar somente a produção das sequências, seja lá qual fosse o motivo, mas era notável a queda na qualidade. Todos os problemas citados em Annabelle 2: A Criação do Mal (leia a crítica aqui), foram repetidos e a partir disso nota-se um padrão: o da reciclagem.

Oferecendo diálogos desnecessários, os personagens reforçam afirmações que acabaram de ser exibidas visualmente, mas que fazem questão de retocar a informação, chamando o público de idiota. Trazendo objetos de estímulo sonoro, como um apito, ou visual, como uma lanterna, repete-se o padrão apresentado desde Invocação do Mal (2013), sabendo que tais objetos serão essenciais em algum momento ou usados como um modo de mostrar de forma sutil, algo que ainda se desconhece. Técnica esta que seria extremamente bem sucedida e exemplar senão tivesse todos os seus ápices entregues pela música de Joseph Bishara, companheiro nº 1 de James no quesito trilha sonora em seus últimos trabalhos.

 

Muitas vezes os filmes antigos e clássicos de terror eram mais conhecidos por sua música, mais do que pela obra em si. Como é o caso do “1, 2, 3” de Freddy Krueger, antagonista principal de A Hora do Pesadelo (1984). Ou até mesmo pela sequência de semitons no tema de Tubarão, feito por John Williams, que tornou-se o sinônimo de sentimento crescente de medo. Joseph Bishara fez um excepcional trabalho arranhando o arco do violino no primeiro Sobrenatural (ouça no vídeo acima), mas se rendeu aqui à fórmula apresentada na atual cena do terror cinematográfico, a de servir somente como medidor de tensão de cena.

Sobrenatural: A última chave apresenta logo no início deslizes imperdoáveis que contradizem a própria natureza dos personagens, construídos de forma básica e clichê. A brilhante atuação mirim da atriz Ava Kolker mostra uma Elise que resiste às brutalidades domésticas de um pai militar e ao afeto de uma mãe carinhosa, mas que infelizmente é preenchido com pressa e mau uso de efeitos especiais.

É extremamente compreensível que a fotografia escura seja um fator relevante na construção de tensão de uma cena, mas este deve ser bem construído, planejado e estruturado. Somos convidados a comprar a ideia de que um homem precisa de ajuda em sua nova residência, tem suas contas em dia e ainda assim não se acendem as luzes da casa, nem em momentos em que a má visibilidade se mostra um empecilho na operação da equipe de Elise, que mantém seus simpáticos personagens Specs (Leigh Whannell) e Tucker (Angus Sampson). Há também o uso dessa má visibilidade em cenas onde os personagens contam com uma lanterna, mas não a utilizam no campo de visão principal, entregando de bandeja onde virá a ser construído o enjoativo jump scare novamente.

Quando um filme de terror dá certo, deve-se deixá-lo em paz. A menos que tenha sido o caso em Sobrenatural I e II, onde a história de complementava e apresentava novas perspectivas. Qualquer abordagem diferente dessa, torna o universo cansativo e repetitivo. Segue a decadência no gênero terror no cinema, que inicia o ano com uma obra covarde e apelativa.

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