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Deuses Americanos 2×05 – Os Caminhos dos Mortos

Deuses Americanos 2×05 – Os Caminhos dos Mortos

Três abordagens complementares

Gustavo Pereira - 9 de abril de 2019

Quando uma das primeiras cenas de “Os Caminhos dos Mortos” é um negro sendo enforcado por uma turba de brancos eufóricos, fica evidente que o tom do episódio da semana de “Deuses Americanos” será pesado. Desde a chegada de Shadow a Cairo, o ritmo da série tem diminuído, como um jogo de xadrez em que as peças se movem pelo tabuleiro antes de atacar. Esta “movimentação” tem servido para desenvolver personagens e enfatizar aspectos reais dentro da fantasia, algo muito presente no livro de Neil Gaiman. Deuses são manifestações coletivas que servem de apoio emocional diante de adversidades. Mas quais adversidades são essas?

Deuses Americanos American Gods Neil Gaiman temporada 2 Os Caminhos dos Mortos

O episódio foca na morte e nas suas implicações. Will James (Warren Belle) abraça seu poder, lembrando que este é o destino inevitável para todos – “memento mori” significa “lembre-se da sua mortalidade”. Ruby Goodchild (Mouna Traoré) está esgotada pela morte ter uma “preferência” por sua família. As histórias se cruzam porque a comunidade negra de Cairo foi amaldiçoada por Will, que se sentiu traído pelos irmãos de cor que não fizeram nada para impedir a sua morte.

Esse é o tipo de discussão que extrapola os limites da obra em que surge. O que “Os Caminhos dos Mortos” aborda é uma das bases fundadoras da sociedade norte-americana (embora também seja algo bem identificável no Brasil), o racismo estrutural que sistematicamente mata a população negra. E é pertinente à série porque um dos Velhos Deuses, Tote (Mr. Ibis) é dono de uma funerária. Seria o deus conivente com o genocídio contra a população negra porque ele é “bom para os negócios”? Ou o discurso acusador de Nancy contra ele é uma repetição do que aconteceu com Will, que decidiu apontar o dedo contra seus irmãos por não terem feito nada em vez de contra aqueles de fato responsáveis?

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Em paralelo, Laura também tenta fugir da morte (embora de uma forma bem mais literal e particular). O casal Barão Samedi (Mustafa Shakir, o Bushmaster de “Luke Cage“) e Maman Brigitte (Hani Furstenberg) pode devolver um morto ao mundo dos vivos. Mas o ponto levantado por Samedi traz outra questão fundamental: sem o devido valor, vale a pena estar vivo?

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Todo mundo ficou voltando o episódio tentando ver essa imagem que eu sei, então aqui está ela: “Plano Aberto is the name, qualidade is the game”

Apontei em críticas anteriores que as melhores partes do livro de Neil Gaiman eram aquelas em que Shadow se afastava de Odin e aprendia sobre “o mundo real”. A história de Will James o ajuda a se questionar, a evoluir. Da mesma forma que a série espera que o espectador se questione e evolua. Talvez a temporada tenha salvação, afinal de contas.

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