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X-Men: Apocalipse

X-Men: Apocalipse

Matheus Fiore - 19 de maio de 2016

Em  certo momento de X-Men: Apocalipse, uma piada sugere que a terceira parte de toda trilogia é sempre a pior, indiretamente rechaçando o infame X-Men 3. O curioso é que a sina se repetiu, e este é o pior da nova trilogia iniciada em 2011 com X-Men: Primeira Classe. Apesar do esforço de Singer, a falta de peso e o paupérrimo roteiro tornam medíocre o que poderia ser o melhor filme dos mutantes no cinema.

Ambientado dez anos após os eventos de X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido, o novo filme da Fox da vida ao maior vilão do time de mutantes da Marvel Comics, o Apocalipse. O egípcio desperta depois de milhares de anos para varrer o planeta para começar seu império do zero. Por sua enorme gama de poderes e rica história, o personagem tinha potencial pra protagonizar batalhas épicas, mas de positivo tira-se apenas a imagem de líder religioso construída competentemente por Singer e Kinberg.

Mesmo funcionando como ícone de devoção, a caracterização do personagem é fraca. Diferente do vilão dos quadrinhos, que possui um dos visuais mais marcantes possíveis, o Apocalipse do cinema mais parece um inimigo dos Power Rangers e não consegue ser ameaçador em momento algum. Não só por culpa de seu visual, mas também da direção que não consegue dar grandiosidade e imponência ao personagem. Um desperdício de um grande vilão e do bom ator Oscar Isaac.

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Os personagens são ponto positivo e negativo do filme. Mercúrio novamente rouba a cena sempre que aparece, quebrando o tom de todos os momentos tensos. O velocista está lá como ferramenta de roteiro para resolver problemas, mas se sai melhor como alívio cômico (diferente do infantil e bobo Noturno). Outros dois que se destacam são Ciclope e Jean Grey, interpretados pelos bons Tye Sheridan e Sophie Turner (a Sansa de Game Of Thrones). Estes finalmente conseguiram trazer para as telas os líderes dos X-Men dos quadrinhos com competência.

Infelizmente, a maioria dos outros mutantes não mostra a que veio, servindo apenas para preencher a tela nas fracas cenas de ação. O Anjo até empolga em sua primeira aparição, assim como Psyloque e Tempestade, mas prontamente se tornam meros enfeites de plano. A pior do filme, sem dúvidas, é a Mística de Jennifer Lawrence. Por se tratar da atriz de maior nome do elenco, assim como no filme anterior, a mutante azul é colocada como ponto central da trama, quando claramente não há um motivo aceitável senão o marketing. Todos os dilemas da personagem são artificiais e mal trabalhados, e nem a própria atriz se esforça muito para dar uma atuação digna. Em certo momento Mística é empurrada goela abaixo do público até como líder do time de mutantes.

A direção de Bryan Singer é irregular. Apesar de muito estilizada, ela falha nas monótonas cenas de ação, que com um pouco mais de dinamismo e mais capricho de montagem poderiam ser mais empolgantes. Em alguns bons momentos do filme vemos alguma influencia de Matthew Vaughn (X-Men: Primeira Classe, Kickass e Kingsman) no trabalho de Singer. Além das batalhas, as destruições que o vilão milenar provoca pelo planeta não causam impacto, pois praticamente não vemos pessoas nos ambientes destruídos, além de nunca vermos as consequências das catástrofes. Estes momentos são destaques negativos não só pela direção, mas também mas por serem feitos com computação gráfica de baixa qualidade.

O que acaba enriquecendo muito é a excelente direção de arte, que, aliada à também boa fotografia, ajuda a dar um tom extremamente quadrinesco ao filme, além da perfeita ambientação nos anos 80, com figurinos, penteados e músicas da década. Os uniformes apresentados nos derradeiros momentos do filme devem agradar aos fãs dos gibis por sua fidelidade. E a referência visual de Wolverine à uma de suas sagas mais marcantes também é positiva.

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O grande defeito de X-Men: Apocalipse é o roteiro. Além dos diálogos pobres e infantis, o filme abusa de coincidências. Personagem X está no exato lugar que o personagem Y está no momento em que ambos precisam se encontrar. Ou personagem X chega no lugar Y no exato momento em que algo acontece e só ele pode salvar o dia. As coincidências se repetem e se anunciam, tornando a história previsível. O espectador mais atencioso conseguirá prever boa parte das viradas do filme.

O script acaba sendo prejudicado também pela história base, pois um dos  grandes pontos da nova trilogia X-Men era a dinâmica entre Professor Xavier e Magneto, e aqui ela é praticamente inexistente, já que o foco está totalmente voltado para o novo vilão. Outro relacionamento que recebeu menos atenção é o de Fera com Mística, mas este sempre foi um dos pontos fracos da nova franquia, então seu desaparecimento é benéfico.

Outra pequena falha do filme é a aparição de Stan Lee, a grande mente por trás da Marvel. Presente em todos os filmes baseados em suas obras, o ícone dos gibis sempre aparece em momentos de alívio cômico, e dessa vez ele interrompe um dos momentos de maior tensão do filme, tirando todo o impacto que a cena causaria.

O excesso de personagens torna impossível aprofundar-se em qualquer um dos novos mutantes. E os escritores ainda fazem a péssima opção de novamente dar destaque para Mística, que já teve muito desenvolvimento nos dois filmes anteriores, e acabam subaproveitando a excelente Jean Grey e a promissora Tempestade. O único bem explorado talvez seja o Ciclope, que tem sua origem contada em poucos minutos e suas motivações bem desenvolvidas (apesar de resultantes de uma cena sem drama algum).

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Se até o segundo ato do filme o novo X-Men era vazio porém divertido, no terceiro o rumo se perde completamente. O plano do vilão é porcamente explicado, as cenas de ação tem fracas coreografias e o excesso de computação gráfica tira qualquer intensidade dos momentos mais grandiosos. O curioso é que a cena que fecha o segundo ato é, provavelmente, a melhor do filme e muito mais empolgante que o clímax inteiro. Intensa e violenta, ela acaba sendo tudo que sua sucessora deveria ser.

X-Men: Apocalipse, assim como o recente Batman Vs Superman funciona no estabelecimento dos personagens e criação do time de heróis, mas analisado como um produto independente, é um filme demasiadamente simples e efêmero. Longe de superar o excelente Primeira Classe, o novo filme sequer supera seu antecessor, Dias de Um Futuro Esquecido, que pelo menos proporcionou excelentes combates entre mutantes e sentinelas

Xavier e seus alunos agora tem, pelo menos, um bom time de heróis interpretado por um bom time de atores. Com pequenas correções de rumo (a diminuição do papel da Mística é urgente) os X-Men podem finalmente encontrar o rumo para uma boa saga no cinema, principalmente pelas inúmeras deixas para possíveis tramas futuras.

 

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