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Geração Marte

Geração Marte

Mario Martins - 9 de maio de 2017

A exploração do espaço foi vista durante a segunda metade do século XX  como questão de segurança nacional e superioridade tecnológica/ideológica de uma nação. A corrida espacial trouxe uma rivalidade EUA x União Soviética herdada da corrida armamentista, que sucedeu o fim da segunda guerra mundial. Como consequência de tal disputa, tivemos um período de notáveis avanços tecnológicos, que nos presentearam por exemplo com as câmeras de celular, painéis solares, filtros de água e a isolação térmica, todos frutos da NASA (Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço). Se a chegada do homem à lua foi um marco histórico acompanhado de expectativas e celebração, o próximo passo seria a ida para Marte.

Trabalhando com um forte teor político- social, Geração Marte tem foco nos jovens do “Space Camp”, um acampamento destinado para os estudos e treinamento físico-psicológico da nova geração de astronautas, que foram apelidados com o título do filme, uma vez que a gestão presidencial de Barack Obama previu o auge do projeto da viagem ao planeta vermelho em meados de 2030, um evento de tamanha grandiosidade requer uma equipe jovem e treinada desde a pré adolescência.

Cumprindo a função documental, o diretor Michael Barnett se destaca ao contrapor as filmagens feitas de dentro do acampamento com entrevistas de virtuosas figuras da ciência como o educador científico Bill Nye , Neil deGrasse Tyson ( renomado astrofísico e apresentador do excelente Cosmos: Uma Odisseia do Espaço-Tempo) e  Michio Kaku (físico co-criador da teoria de campos de corda). Todas as entrevistas trazem não só um complemento contextual ao assunto, mas também reflexões sobre como um órgão governamental continua funcionando mesmo tendo seu orçamento cada vez mais apertado. Mais do que mostrar o grupo que deseja  contribuir de alguma forma para a expedição à Marte, o documentário ilustra o quanto se perdeu o interesse em tais explorações. Tanto por parte do governo como da sociedade.

Com uma presente e acentuada trilha sonora, Tyler Strickland  (Hot Girls Wanted) acentua e manipula nossas emoções com relação a tais imagens ou revelações exibidas durante o longa. Por exemplo os sintetizadores aplicados durante a divulgação de que um dos pioneiros das viagens espaciais e  diretor da NASA foi Wernhern Von Braun, membro do partido nazista e da SS, que alarmam para as origens de grandes avanços como sociedade, que podem ter raízes homicidas. Ou por exemplo o piano que nos sensibiliza para o comparativo do orçamento da NASA na chamada Era Apollo (1955-1956) para o de hoje em dia, que é 1/10 menor. Os Estados Unidos continuam priorizando de forma excêntrica as forças armadas com seus fundos federais, que ao contrário da agência espacial, não traz benefícios diretos para a população.

Contudo, o documentário acaba caindo para um lado pessimista de se pensar com relação as mudanças e investimentos necessários aqui, no planeta Terra. Fala-se sobre o quão extraordinário seria produzir uma colônia em Marte e o quanto o atual presidente Donald Trump é arrogante ao dizer que deseja reconstruir a infraestrutura americana antes de pensar em mandar humanos para tal missão. O filme acaba caindo para uma filosofia de “devemos desabitar nosso planeta, vamos investir tudo em avanços pra deixá-lo”, que até pode não ter sido intencional, mas já que só é mostrado o lado sensacionalista de que a NASA não tem dinheiro para dar seguimento ao projeto, enquanto imagens mostram o impacto das mudanças climáticas em todo o mundo, é exibida uma premissa de propaganda em forma de longa metragem. É claro que seria um marco e um incrível passo para o mundo da ciência, mas não sei até que ponto ir para Marte é uma prioridade na vida do publico geral.

Carismático, mas publicitário. Informativo enquanto sensacionalista e lúdico dentro do possível, Geração Marte vale como formador de opinião, para um universo tão pouco abordado como o da exploração espacial, suas origens e seu legado.

 

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