Ajude este site a continuar gerando conteúdo de qualidade. Desative o AdBlock

Day of The Dead

Day of The Dead

Nathan Amaral - 21 de julho de 2016

Grateful Dead é uma das bandas mais importantes da história da música e da juventude norte-americana. Seus shows foram de mais de cinco horas, seus jams seguiam por noites à fio, seus fãs acompanharam mais de trinta anos de roadtrips por cada pedaço dos Estados Unidos, seus integrantes eram tidos como lendas, seu líder, Jerry Garcia, era tido como um guru da maior revolução musical que se estava tendo nota. Digerir a música de Grateful Dead (ou, como carinhosamente é chamada pelos seus fãs, The Dead) é digerir um momento ímpar da história, onde talvez nem mesmo seus próprios protagonistas possuíam alguma noção do que estava sendo feito.

Vinte e um anos depois da morte de Jerry Garcia e da separação da banda coube ao The National, de Matt Berniger,  o desafio de criar o tributo definitivo à própria lenda urbana da música. Deste empreendimento nasceu Day Of The Dead, uma coletânea de três discos, lotada de grandes artistas da atualidade como The War On Drugs, The National, Kurt Vile, Perfume Genius, Courtney Barnett e Wilco, em cinco horas e vinte e seis minutos de releituras em homenagem à obra e legado de Grateful Dead.

Entre versões inesquecíveis, como a própria Peggy-O pelo The National, Stella Blue, pelo Local Natives Friend Of The Devil pelos queridinhos Mumford & Sons estão também experimentações instrumentais, reinterpretações completas e um ar novo, dedicado e apaixonado. Todos os estilos musicais, do Indie, folk, rock clássico, eletrônica e r&b a um new-wave de jazz afro estão espalhados pelas cinquenta e nove faixas do disco. Todas com versões que poderão encantar do ouvinte desconhecido à discografia da banda ao mais ardente Deadhead.

O interessante de Day Of The Dead é mais do que sua obra, é o ar que a cerca. Como a mística presente em abrir um baú do qual não se sabe o que esperar, mas onde qualquer coisa que venha será um tesouro. É mais do que um tributo “padrão”, como centenas que recheiam a indústria da música, é um tributo à uma banda que merece ser homenageada e cultuada, é uma homenagem aos que viveram uma vida para tal.

E é nisso que cabe a curva subjetiva da beleza deste disco: são cinco horas de músicas executadas e lapidadas de tal forma que nos fazem pensar que saíram de realidades alternativas da mesma banda, e não de seus viúvos, filhos e netos.

O ofício de mergulhar de cabeça em três discos de mais de uma hora é, principalmente para Noel Gallagher, trabalhoso. Mas vale cada momento, seja pela beleza das vozes e da coletividade, seja pela beleza das melodias em suas simplicidades majestosas, seja pela lenda viva ou seja pelos mesmos motivos que fazem todas as gerações, de 1965 à 2016, adorarem essas músicas: o modo como elas nos fazem pensar sobre a vida, a morte, a liberdade e o chão em que pisamos e vivemos.

Topo ▲