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Rival Sons, a nova cara do Hard Rock

Rival Sons, a nova cara do Hard Rock

Matheus Fiore - 26 de maio de 2016

De tempos em tempos surge alguma banda que os fãs insistem em chamar de “O Novo Led Zeppelin”. As comparações acabam sendo naturais, já que os gigantes do Rock são possivelmente a banda mais influente da era de ouro do gênero, a década de 70. Já sobrou até pro Guns N Roses, que realmente se inspirava demais no Zeppelin, principalmente na parte visual. Mas quando falamos de presença de palco e qualidade de som, nenhuma banda nunca conseguiu lembrar o saudoso Zepelim de Chumbo. Não até 2009, quando surgiu o Rival Sons.

Apesar da referência, é necessário afirmar que não, o Rival Sons não é o novo Led Zeppelin, e provavelmente nunca será. É até covarde esperar que alguma banda alcance o patamar de bandas como Zeppelin, Pink Floyd e Black Sabbath. Mas a banda possui grandes qualidades que lembram demais o quarteto inglês.

Formação e primeiros discos

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Scott Holiday, Jay Buchanan, Robin Everheart e Michael Miley

O grupo surgiu no fim da década passada, em Long Beach, California. O guitarrista Scott Holiday, junto do baixista Robin Everheart e do baterista Michael Miley procuravam formar uma nova banda após o fim do Black Summer Crush. Depois de muito esforço, conseguiram convencer o cantor de soul Jay Buchanan a ser o interprete do novo projeto, Rival Sons.

O primeiro disco, Before The Fire foi um bom começo. Lançado em 2009, é o álbum mais ríspido e psicodélico da banda até hoje. Ainda continha ideias e faixas da banda anterior dos membros, Black Summer Crush, ele trouxe um som cru, porém primorosamente produzido. Dois anos depois vem o segundo lançamento, o EP Rival Sons. Mais focado no Hard Rock e no Blues, com menos psicodelia e efeitos, o EP traz algumas das melhores canções da banda. Além da melancólica Soul, temos um trio de petardos de Hard Rock de primeiríssima qualidade com Get What’s Coming, Torture (uma das principais canções nos concertos da banda) e Sleepwalking (que nos brinda com um dos melhores riffs de guitarra dos últimos anos).

Poucos meses após o EP, os Sons lançaram o disco que os elevaria de patamar pela primeira vez: Pressure & Time. Mais à vontade, a banda começa a introduzir elementos de soul e funk nos arranjos (graças ao ótimo baixista Robin Everheart). Michael Miley aqui incorpora o espírito de Keith Moon e torna o som da banda mais pesado e feroz do que nunca. Aliados ao sempre excelente Jay e ao criativo Scott Holiday (que as vezes se inspira até demais nos anos 70 e rouba um riff aqui e outro ali), o resultado é uma verdadeira homenagem à tudo de bom que o Rock produziu na era de ouro. Outra novidade bem-vinda são as belas baladas Only One e Face Of Light, e esta segunda traz um clímax de altíssimo nível protagonizado por Buchanan e Miley. Apesar de melhor que seus antecessores, Pressure & Time é excessivamente retrô e fazia a banda parecer buscar um som sem muita criatividade. Mas só parecia mesmo.

Novos discos: mais personalidade e menos referencias 

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Em 2012 a banda lançou Head Down, seu quarto e melhor trabalho até então. Excelente da primeira à última música, o disco nos trouxe vários potenciais jovens clássicos do Rock dos anos 2000. Já abrindo com uma das mais icônicas canções da banda, Keep On Swinging (que lembra muito Nobody’s Fault But Mine, do Zeppelin) o álbum é o que mais enriquece o repertório ao vivo do grupo.

Além da já conhecida pancadaria Hard Rock, presente em canções como Wild Animal e Run From Revelation, ainda há ainda espaço para a mais bela e sensível canção dos Sons, Jordan, uma balada sobre dor e perda com uma magnífica interpretação de Buchanan. A beleza da letra é muito bem enaltecida pelo escolha do guitarrista Scott Holiday por arranjos simples, que apenas acompanham a melodia.

“You did it all with feeling
And failure, you took it gracefully
You said third star to the right
And straight on until morning
When you need me, you know
That’s where I’ll be

Now the rest of my life without you
Right now it’s hard to conceive
You said, don’t cry form me now
You’ve got to remember
There is no death for those that believe”

A segunda parte traz mais canções agitadas, mas com temáticas mais divertidas e lúdicas. As três excelentes All The Way, The Heist e Three Fingers mantém o ouvinte pregado nos fones, e a faixa seguinte, Nava, é um interlúdio instrumental que novamente nos faz lembrar do Zeppelin e sua Bron-Yr-Aur. As duas canções seguintes são, possivelmente, o ponto alto da carreira da banda. Manifest Destiny partes I e II são estarrecedoras visões opostas dos acontecimentos do Destino Manifesto, período em que boa parte dos nativos americanos foram assassinados por “defensores da palavra de Deus”. Com solos gigantescos e inspirados, muitos efeitos e ritmo e melodia hipnóticos, são as musicas ideias para fazer qualquer fã de Rock se fascinar pelos californianos.

Mudança na formação e lançamentos mais recentes

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A nova formação, com Dave Beste (esquerda) no baixo.

Com Head Down, a banda provou ter não só boas influências, como também muita criatividade e os usou para criar um som rico de influencias e personalidade. Infelizmente, pouco depois da turnê de divulgação do álbum, o baixista Robin Everheart deixou a banda. Em seu lugar entrou Dave Beste. Menos funky e mais metaleira, o novo dono das quatro cordas foi importante na mudança de ares do Rival Sons.

Com a nova formação veio o quinto trabalho, Great Western Valkyrie. A mudança no som trazida por Beste é evidente já nos primeiros minutos. Riffs mais urgentes, rápidos e com muito fuzz. A tríade que abre o disco (Electric Man, Good Luck e Secret) é perfeita para apresentar o potencial da banda para executar rock pesado com competência. O novo disco trouxe duas canções que não funcionaram, apesar das boas ideias: Play The Fool e Rich And The Poor, que só empolgam nos momentos de destaque do monstruoso baterista Michael Miley. Por outro lado, os dois singles Good Things e Open My Eyes são excelentes novidades. A primeira remete instantaneamente à The Doors, e a segunda é um dos grandes hits da banda, trazendo um arrebatador solo de Holiday (seu melhor até hoje).

Mas o ponto alto do disco está em seus derradeiros momentos, com o trio Belle Starr, Where I’ve Been e Destination On Course. A primeira te faz entender o título do disco. Mais uma vez mostrando o enorme interesse de Buchanan pela história da América, a faixa conta a história de Belle Starr, uma bandida que foi importante figura na Guerra Civil americana. A psicodelia trazida pelos dedilhados de Holiday aliados ao intenso e soturno baixo de Beste são perfeitos quando intercalados com as potentes linhas vocais de Jay. A segunda, Where I’ve Been, é uma balada calcada no blues quase tão bela quanto Jordan. A diferença básica é que Jordan se destaca pela beleza da composição e simplicidade dos arranjos, enquanto Where I’ve Been tem uma letra que, apesar de bonita, é simples, e deixa o destaque para o maravilhoso arranjo de violão de Scott. A última, Destination On Course, é a mais grandiosa e intensa música da banda. Com um ritmo arrastado e guitarra melancólica, a canção é uma verdadeira viagem musical, que tem um clímax até mais bem construído que Face Of Light, e ainda traz uma seção experimental no melhor estilo Echoes, do Pink Floyd.

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Tendo lançado cinco discos em pouco mais de seis anos de carreira, os Rival Sons ainda não conseguiram alcançar o grande público e, assim como outras boas bandas da atualidade, estão presos no cenário underground do Rock. Mesmo assim, a banda já possui enorme respeito de grandes figuras do mundo da música, como Jimmy Page, que chegou a apontar os Sons como sua banda favorita da atualidade. Além do líder do Zeppelin, os Sons já chamaram a atenção dos membros do Deep Purple e do Black Sabbath, tendo inclusive acompanhado as turnês de ambos os grupos como banda de abertura.

A vinda do Black Sabbath ao Brasil no fim do ano é uma oportunidade imperdível de ver a banda em ação ao vivo. Após um curto show no Monsters Of Rock, em 2015, a banda virá mais madura e divulgando o novo disco, Hollow Bones. A presença de palco de Buchanan, a energia de Miley e a pegada e criatividade de Holiday com suas Firebirds tornam o concerto da banda um evento ímpar na música, que merece ser apreciado e compartilhado. Aos fãs, resta torcer para que a conservadora massa de roqueiros atual consiga entender e apreciar o bom som da banda californiana.



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