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Os Anarquistas

Os Anarquistas

Matheus Fiore - 22 de julho de 2016

Os Anarquistas acompanha a história de Jean Albertini, um segurança que é recrutado pelo governo para se infiltrar num grupo anarquista e repassar informações sobre seus membros e planejamentos de suas ações.  Situado um século após a Revolução Francesa, no fim do século XIX, o filme se mostra disposto a brincar com o espírito patriota e revolucionário dos franceses, mas, apesar dessa e de várias outras boas ideias, nenhuma é aprofundada com qualidade.

A missão começa quando Jean consegue um emprego numa fábrica e, ao fazer amizade com alguns dos anarquistas disfarçados, é convidado para algumas festas. Nesse ponto do filme nos é sugerido que haverá um jogo de cores com a fotografia. Até então, todas as cenas são dominadas por um tom frio de azul,  Em seguida, na confraternização anarquista, a cena é totalmente diferente, com tons avermelhados.  Essa opção sugeriria que Jean se sente mais à vontade e mais vivo quando entre os anarquistas, mas logo é abandonada e as cores se misturam, sem ganhar nenhuma função narrativa ao longo da projeção.

Outro destaque da primeira cena da confraternização é quando o filme apresenta Elisée, o líder do grupo. Em destaque no plano, todos os personagens inclinados em sua direção, tornando de fácil entendimento que sua voz é ouvida e respeitada por todos. Infelizmente o roteiro não desenvolve bem essa relação dos anarquistas com seu líder, que ao longo da película passa a ser visto apenas como mais um do bando.

Os personagens centrais, aliás, são bem apresentados mas mal desenvolvidos. A delicadeza e paixão por literatura de Jean é apenas mencionada em poucos diálogos, a imponência e frieza de Judith Lorillard é ignorada a partir do meio do segundo ato e o espírito de liderança de Elisée desaparece e dá lugar à insegurança e depressão.

Os relacionamentos são explorados irregularmente. Por um lado a amizade de Jean e Elisée é bastante crível e bem construída. Os relatórios do protagonista para o governo francês são úteis ao compreender a fácil confiança do líder anarquista no novo membro. Por outro lado, o relacionamento amoroso (que toma conta do filme a partir do meio do segundo ato), é infantil e não acrescenta muito aos personagens nem à trama. Serve apenas para criar uma tensão no clímax do longa.

Uma peculiaridade de Os Anarquistas é a ausência de trilha sonora. Tendo apenas duas canções (que acompanham momentos não muito interessantes) durante os 100 minutos de projeção, o filme acaba ficando monótono e sem momentos empolgantes.

Outro aspecto que apresenta boas ideias que acabam não sendo efetivas é a montagem. Optando por alternar a narrativa principal com entrevistas com os membros do grupo anarquista, o filme tenta assim dar alguma profundidade aos revolucionários. Infelizmente, o roteiro não explora suficientemente a personalidade dos personagens, o que acaba tornando estas cenas descartáveis.

Mesmo apresentando  ideias interessantes e atuações razoavelmente boas, Os Anarquistas é um filme simplista e raso, que faz mau uso de alguns aspectos técnicos e apresenta um desfecho previsível e insatisfatório. Talvez valha assistir apenas pelos seus primeiros quarenta minutos, que destoam do resto da obra.

 

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