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Resident Evil 6: O Capítulo Final

Resident Evil 6: O Capítulo Final

Gustavo Pereira - 25 de janeiro de 2017

Já que Alice faz um resumo antes de cada filme, esta crítica se dará o direito de fazer o mesmo: embalado pelo sucesso dos jogos de videogame, Resident Evil teve sua primeira adaptação para o cinema em 2002. Um filme decente. História clássica de fuga contra o relógio, boas cenas de ação intercaladas por uma história interessante e regras internas bem estabelecidas. Nenhum assombro, mas um bom entretenimento. Mantém a pegada na continuação de 2004, meu filme favorito da franquia. A partir de A Extinção, contudo, ficam claros dois fatos: não havia mais material para novos filmes e Paul W. S. Anderson, diretor, roteirista e produtor de todos os filmes, não sabe sair da mesmice. Mais duas continuações medonhas, uma em 2010 e outra em 2012, e a única pergunta que podemos fazer é:  por quê?

A resposta é simples: dinheiro. Fazer Resident Evil é barato (cada filme custa, em média, 40 milhões de dólares) e rende à Sony, em média, 200 milhões por sequência. Como é uma franquia estabelecida, o custo com marketing é menor. Welcome to Hollywood.

Mas, como tudo precisa ter um fim (e finais costumam atrair mais gente ao cinema), o mundo foi agraciado com mais um capítulo de Resident Evil. O último, como o título promete. Todas as perguntas terão respostas? Aqueles que passaram os últimos 14 anos (!) acompanhando as tramoias da Umbrella Corporation finalmente poderão voltar para suas casas sabendo que não jogaram parte de suas vidas no lixo?

Mais um menos.

Quando as coisas, claramente, foram longe demais

Acredito que Anderson não espera que alguém veja os filmes anteriores antes de ver este. Não apenas pelos resumos, mas também pelo uso pornográfico de retcons para alterar conceitos estabelecidos em filmes anteriores, como a criação do T-Vírus e a origem da Rainha Vermelha. Também empurra goela abaixo conceitos novos, que nunca haviam sido abordados anteriormente mas, como chegamos aqui cheios de arestas a serem aparadas, a solução do roteiro foi apagar e reescrever fatos para que a narrativa se encaixasse.

Seguindo o formato dos pavorosos Recomeço e Retribuição, Resident Evil 6 parte de uma premissa tão simples que chega a ser ridícula: Alice tem 48 horas para voltar a Raccoon City, mais especificamente à Colmeia, instalação da Umbrella onde a epidemia começou a se espalhar, para resgatar a cura capaz de exterminar o T-Vírus para sempre. Caso ela falhe, os menos de 5 mil humanos remanescentes serão, de uma vez por todas, exterminados. Não se pergunte o porquê do prazo de 48 horas ou de a Umbrella simplesmente não acabar com o que sobrou da Humanidade de uma vez. Apenas siga em frente.

Paul W. S. Anderson aposta em mais cenas de ação improváveis no novo Resident Evil

Uma direção confusa, com cenas de ação cheias de cortes e planos-detalhe, uma fotografia escura onde não se vê praticamente nada, um 3D que se resume a jogar coisas na sua cara e uma trilha que induz repetidamente ao susto gratuito. Esta é a “atmosfera” do filme. Não existe respiro entre uma cena de ação e outra, o que acaba cansando o espectador. Mas, nos raros momentos em que se desenvolve algum diálogo, sentimos até saudade dos monstros. O Dr. Isaacs (Iain Glen, o Jorah Mormont de Game of Thrones), que não morreu no terceiro filme, mas sim um de seus clones (muitos clones morrem neste filme), revela que o apocalipse zumbi foi arquitetado pela Umbrella desde o início, com o objetivo de “limpar o planeta” para recomeçar do zero, no melhor estilo Arca de Noé. Inclusive, a ideia de uma seita religiosa surge no filme, mas é imediatamente esquecida. Não sei se elogio o diretor por abandonar uma ideia tão ruim ou se o culpo por tê-la deixado na montagem final.

Entre reviravoltas mirabolantes, autoplágio e uma referência criminosa ao final de Robocop, Resident Evil 6 se despede com a famosa deixa para que, caso a bilheteria alcance números satisfatórios, a franquia possa voltar. A experiência é péssima e eu pensei seriamente em zerar a nota da crítica. Mas, ao sair do cinema, ouvi de um colega que estava na cabine dizer: “o filme tem defeitos, mas eu sou fã”. Em filmes, não podemos ignorar o fator humano. Se você assiste aos filmes da franquia e se satisfaz com o que recebe, eu honestamente te invejo. Existem opções muito melhores sobre essa temática, como o ótimo Invasão Zumbi (leia nossa crítica aqui). Resident Evil me parece um morto-vivo teimoso que, mesmo exterminado diversas vezes, segue voltando.

Mas se alcança seus fãs, algum mérito tem. E, por isso, não merece um zero. Apenas espero que este seja o final definitivo. De uma vez por todas.

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